Muros (2015)

Visite o site do curta “Muros”: https://curtamuros.wordpress.com/

A partir do olhar do fotógrafo Rogério Ferrari, que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, Cisjordânia e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, o filme une cinema e fotografia, Palestina e Brasil. Os diretores acompanham o fotógrafo nos bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, motivados pela impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras nos aspectos urbanísticos e arquitetônicos. O curta põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, a fotografia e o cinema.

O curta é dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, realizadores independentes de Salvador, Bahia, e tem apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através de edital público realizado em 2013, pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia e pela FUNCEB.

cartaz muros com bandeirinha reparada

ROTEIRO, DIREÇÃO, MONTAGEM, FINALIZAÇÃO
fabricio ramos e camele queiroz

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO
juliana freire

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA E CÂMERA
fabricio ramos

SEGUNDA CÂMERA
ramon coutinho

SOM DIRETO E FINALIZAÇÃO DE ÁUDIO
haydson oliveira

EDIÇÃO E COR
camele queiroz

PRODUTOR LOCAL NO CALABAR
José Inácio da Conceição Filho

PRODUTOR LOCAL NO NORDESTE DE AMARALINA
Paulo Sérgio Vieira Costa (Paulo Lé)

REALIZAÇÃO
bahiadoc arte documento

As Cruzes e os Credos

O resgate do tema de um curta universitário que o realizador gravara dez anos antes o coloca em busca do reencontro de uma história. Fazer o filme se torna um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

Visite o site do curta:  https://ascruzeseoscredos.wordpress.com/

Texto de Fabricio Ramos, realizador*:

Em 2003, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos daquele ano, de um conhecido Pai de Santo de Ilhéus, o Pai Pedro, e do Bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Fui a Igrejas e depois fui ao Terreiro de Odé, a casa de Pai Pedro, onde o babalorixá tinha sido assassinado. Cidade chocada. Terreiro de Luto, não pude entrar nem gravar nada. Era um vídeo universitário., de viés político: buscava evidenciar, a partir da repercussão das mortes do babalorixá e do Bispo, a marginalização do Candomblé frente a oficialidade dedicada à Igreja por parte dos poderes institucionais, imprensa, sociedade.

Dez anos se passaram. Em 2013, resolvemos retomar o tema e fazer um outro filme partindo do mesmo tema, já em outro contexto, passado o impacto inicial que a cidade sofreu com a perda de dois de seus ícones religiosos.

Eu e Mel resolvemos, então, levantar recursos para viajar de Salvador até Ilhéus. Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo através da internet e conseguimos dinheiro para custear a viagem, e também apoio de amigos na forma de trabalho voluntário (Juliana Freire, produtora, viajou conosco) e de hospedagem solidária (a amiga Lú nos ofereceu todo o conforto). O cineasta Henrique Dantas emprestou equipamento de áudio, e a DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural da Bahia emprestou equipamento de iluminação, através do Núcleo de Apoio à Produção Independente.

Cartaz Cruzes 300dpi JPG_10_8

Decidimos ir a Ilhéus sem pesquisa prévia, passar lá uma semana, câmera na mão, buscando reencontrar a história. Eis que a história esperava por nós. Lugares inesperados, improvisos, sentimentos: a busca do filme faz surgir novos acontecimentos, novas experiências. Filmar o curta “As Cruzes e os Credos” foi ir a um encontro inesperado, mas no fundo, secretamente esperado por cada um que participou desse encontro. Mas um filme é um filme, que fale por si.

A ideia do filme é provocar uma reflexão através de nossa própria experiência de fazer o filme. Uma reflexão que envolve as raízes de nossa cultura afroíndia, o compromisso dos adeptos com o Sagrado, e o lugar do cinema, ou de um certo cinema.

Nossos agradecimentos a todas e todos que confiaram na proposta e apoiaram direta ou indiretamente a realização do filme, que segue em processo. A prévia é uma amostra que sugere os caminhos do nosso trabalho.

* Fabricio Ramos é realizador independente e, junto com Mel Queiroz, coordena o Bahiadoc e realiza documentários.

AS CRUZES E OS CREDOS:

Roteiro, Direção e Edição: fabricio ramos e camele queiroz
Produção: juliana freire
Câmera e Direção de Fotografia: fabricio ramos
Som Direto e Montagem: camele queiroz

Para que não nos sintamos tão sós (2013)

Visite o site do filme: https://curta7min.wordpress.com

SINOPSE:

O impacto das mudanças atravessa o olhar de um indivíduo e revela, em meio aos cenários urbanos, as forças vivas políticas, históricas, poéticas e místicas que formam o imaginário oculto, ativo e impuro da cidade. BAHIA / HD / cor / 7min / 2013

EXIBIÇÕES:

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O curta “Para que não nos sintamos tão sós” participou do XVI Festival Nacional 5 Minutos. Pelo festival, percorreu, entre abril e maio, quatro cidades baianas: Paulo Afonso, Cachoeira, Vitória da Conquista e Salvador.

Em março de 2014, o curta participou do evento Salvador 465: Projetos coletivos e alternativas de convivência com a cidade, realizado no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, que destacou ações de intervenção coletiva de Salvador para debate em comemoração do aniversário da cidade.

Em 2013, participou do V CineFacom, Mostra da Ufba, e foi exibido no evento VI Cinema no Coreto + Debate: Gentrificação, no Largo Dois de Julho, Salvador.

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FICHA TÉCNICA:

Roteiro, Direção, Montagem e Finalização de: Fabricio Ramos e Camele Queiroz
Dir. de Fotografia: Fabricio Ramos
Desenho de som: Fabricio Ramos e Camele Queiroz
Pós-produção de imagem: Camele Queiroz
Ator: Wagner Pyter

Regulamentação da Profissão de Vaqueiro (2013)

“Profissão de Vaqueiro”, documentário que acompanha a viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília

A convite do antropólogo Washington Queiroz, Fabricio Ramos e Camele Queiroz, do Bahiadoc – arte documento, embarcaram num ônibus junto com trinta e dois vaqueiros vindos de diferentes regiões do sertão da Bahia. A comitiva seguiu para Brasília, rumo ao Plenário do Senado Federal, para acompanhar a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre o reconhecimento da profissão de vaqueiro no país. A viagem aconteceu entre 22 e 25 de setembro de 2013, e no dia 24 de setembro o projeto foi aprovado no Senado, seguindo então para a sanção da Presidente da República. Em Brasília, reuniram-se a comitiva da Bahia vaqueiros de Pernambuco, do Piauí, de Alagoas e do Maranhão, somando mais de cento e trinta vaqueiros encourados, vestindo gibão, peiteira, perneira e chapéu de couro, todos no interior do Plenário do Senado

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Coube ao Bahiadoc produzir a memória audiovisual da viagem, que resultou no documentário Profissão de Vaqueiro (30min), dirigido e produzido por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, realizado com o apoio de Washington Queiroz. O antropólogo se dedica, há mais de trinta anos, à luta pelo reconhecimento simbólico e efetivo da atividade tradicional do vaqueiro.

Para Washington, que articulou com grande esforço a viagem dos vaqueiros a Brasília, a figura do vaqueiro é protagonista do maior fenômeno sócio-cultural-econômico de fixação e unidade em toda a região Nordeste e em outras regiões do país. “O vaqueiro”, lembra, “foi quem crivou o território baiano com locais de pouso e currais que se transformariam nas primeiras cidades do interior da Bahia e do Nordeste”.

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Como realizadores, pudemos prosear com os vaqueiros durante a viagem e conhecer um pouco de suas vidas. A história de muitos deles, sobretudo daqueles que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga, revela muita coragem e fé, mas também realidades sociais dramáticas, injustas e muito graves. O documentário não resume a história dos vaqueiros, nem a isso se propõe: apresenta a memória filmada dessa viagem que os vaqueiros fizeram para testemunhar um momento histórico no país, que é parte de um processo de reconhecimento do vasto patrimônio cultural do sertanejo, que tanto vivifica o árido bioma da caatinga, com a sua legião de seres encantados, bois ideados ou com maçãs; as suas relações com o sagrado, com o enfrentamento da morte sempre próxima, e a cultivar a vida, amores e paixões, tão bem expressas na arte em couro, metal, madeira, barro e palha que caracteriza os saberes e fazeres dos vaqueiros do sertão, que se manifestam na música, no aboio, na literatura, na gastronomia, na medicina, na mitologia.

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O Bahiadoc, em nome dos diretores Fabricio Ramos e Camele Queiroz, parabeniza a todos os vaqueiros da Bahia e do Brasil e agradece ao antropólogo Washington Queiroz pela parceria que culminou na realização de Profissão de Vaqueiro.

Aos interessados, informamos: o documentário será distribuído para os vaqueiros participantes da viagem e em breve estará acessível na íntegra através da internet.

Canal Bahiadoc

Visite o site do Canal Bahiadoc: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Ao longo de um ano e meio, realizamos o Canal Bahiadoc, série de seis webdocs com a participação de cineastas baianos que realizaram filmes e vídeos ligados ao campo de não-ficção na Bahia.

O nosso objetivo foi, de forma introdutória, contribuir em algum grau para o debate e a difusão em torno das obras desses cineastas independentes e de contextos do cenário audiovisual e cinematográfico da Bahia.

O Canal teve o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público (Demanda Espontânea 2011), e é uma realização de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, através do Bahiadoc – arte documento, iniciativa independente que quer discutir a prática do documento e contribuir para a formação de espaços reais e virtuais que dinamizem a interação entre novos agentes criativos na Bahia.

Os realizadores do Canal agradecem a todos os cineastas que participaram, e a todos que acompanharam, assistiram e difundiram os webdocs pelas rede.

Sabemos que há muitos outros cineastas, videomakers e artistas do audiovisual realizando trabalhos de relevância para a nossa memória cultural e artística. Quem sabe, novas edições virão para conversar com ainda mais gente – será esse o nosso esforço.

SOBRE OS WEBDOCS:

1 e 2. Os dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador. Participaram do primeiro: Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosario, Sophia Mídian Bagues e Felipe Kowalczuk. Do segundo, participaram: Wallace Nogueira, Mônica Simões e Isana Pontes.

3. O terceiro webdoc traz um encontro com o Cual Coletivo UrgentedeAudiovisual, que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

4. O quarto webdoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, profícuo documentarisa que aborda temas sociais e históricos, além de atuar como videoativista.

5. O quinto webdoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas.

6. E o sexto webdoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Lembrando, todos os webdocs podem ser acessados no sítio do projeto:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

 

Bom Despacho (2010)

Visite o site do filme: https://docbomdespacho.wordpress.com/

O vídeo documentário ‘Bom Despacho – reflexões sobre as práticas do lazer’ (2010) é uma realização independente de Fabricio Ramos e Camele Queiroz.

SINOPSE:

Uma reflexão sobre as condições e práticas do lazer a partir do registro do intenso movimento no terminal marítimo de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, Bahia, durante o último dia do feriado prolongado do ano novo de 2010. Com a participação dos usuários do sistema ferry-boat que, na volta para casa, enfrentaram longas filas num domingo de forte calor, refletindo sobre lazer, trabalho e cidadania.

RELEASE

Os realizadores Fabricio Ramos e Camele Queiroz realizaram, em parceria, o documentário ‘Bom Despacho – reflexões sobre as práticas do lazer’, que registra um dia inteiro no terminal marítimo de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, durante o último dia do feriado prolongado do ano novo de 2010.

“O que é o lazer para você?” foi a pergunta que fizeram às pessoas que utilizam o sistema Ferry-Boat, que faz a ligação entre a Ilha de Itaparica e Salvador, num dia de grande demanda. O vídeo traz depoimentos dos usuários e registra as etapas do processo de embarque que no dia da gravação durou cerca de 7 horas, e propõe reflexões sobre a representatividade do lazer na vida das pessoas considerando implicações sociais e culturais – e especialmente as dificuldades estruturais – que determinam as condições da prática do lazer para a maioria da população.

O documentário, que tem duração de 20 minutos, foi realizado com recursos dos próprios idealizadores e revela contradições entre Lazer e Cidadania.

FICHA TÉCNICA

Realização: Camele Queiroz e Fabricio Ramos.

Produção, Direção e Montagem:  Camele Queiroz e Fabrício Ramos.

Câmeras: Fabrício Ramos, Camele Queiroz, Mazinho e Tiago Campos.

Direção de Fotografia: Fabrício Ramos e Camele Queiroz.

Colaborador: Tiago Campos.

Edição: Camele Queiroz.

Duração: 20 min.

documentário “hera”

Visite o site do hera: https://heradocumetario.wordpress.com

“hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Uma realização do Bahiadoc – arte documento, com direção de Camele Queiroz e Fabricio Ramos.

documentário “hera” retrata um importante capítulo da poesia baiana

A REVISTA

A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval Pereyr, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.

O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO

Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012.